Situação atual e perspectivas futuras do setor comercial no Brasil e na Espanha

by Cambra Comerç Brasil Catalunya / 16 junho 2020 / No Comments

A Câmara de Comércio Brasil-Espanha (CCBE) e a Câmara de Comércio Brasil-Catalunha (CCBC) organizaram um seminário virtual para refletir sobre a situação do setor comercial em ambos países.

A situação atual causada pela crise do Covid-19 está impactando todos os setores da economia. Um dos mais afetados é o setor comercial, que teve que se adaptar à paralisia da atividade por muitas empresas e a uma forte queda na demanda tanto nos canais offline quanto online.

O Covid-19 está forçando as empresas a se reinventarem para se adaptarem às mudanças de demanda, aos novos padrões de consumo e à necessidade de garantir a saúde de seus clientes. Com o objetivo de conhecer a situação do setor comercial no Brasil e na Espanha, a CCBE e a CCBC organizaram uma sessão virtual com a participação de Jean-Claude Silberfeld, consultor da Fecomércio Internacional; Fábio Pina, assessor econômico da Fecomércio SP; David Sánchez, Presidente da Comertia e Julián Ruiz, Coordenador da Confederação Espanhola do Comércio (CEC) e Secretário Geral do CECOBI, representantes de três das mais relevantes associações setoriais de ambos países.

A sessão também contou com a presença de Antonio del Corro e Francisco Arbós, Diretores Executivos da CCBE e CCBC, respectivamente, que destacaram a importância do setor comercial no Brasil e na Espanha, por ser um mercado formado por um grande volume de autônomos e PIMEs, o que gera riqueza e emprego e, portanto, se torna um setor-chave para a economia de ambos os países.

A situação na Espanha

Julián Ruiz, coordenador da Confederação Espanhola de Comércio (CEC) e secretário-geral do CECOBI garantiu que “o comércio é o setor mais relevanteda Espanha, uma vez que ocupa 17% do PIB e gera 12% deste. É um mercado composto principalmente por pequenas e médias empresas. Um exemplo disso é que os trabalhadores autônomos representam um 24%. Além disso, é importante destacar o emprego estável, já que a maioria dos contratos são indefinidos, apesar da crise que estamos vivendo. Mas, acima de tudo, o setor comercial tem um impacto muito positivo em outros setores como serviço financeiro, mercado imobiliário, marketing e publicidade, transporte terrestre, entre outros.”  

Nesse sentido, ele afirmou que é fundamental protegero setor comercial porque é um dos pilares que garante o estado de bem-estar nacional.   “Ainda que algumas empresas estejam começando a desenvolver sua atividade, as consequências têm sido enormes para muitas delas, precisando de mais medidas para ajudá-las a se reinventar e se adaptar às mudanças na demanda, aos novos padrões de consumo e à necessidade de garantir a saúde de seus clientes”, disse David Sánchez, presidente da Comertia.

Ruiz e Sánchez  concordaram que é necessário mais liquidez para poder lidar com a ausência de renda durante esses meses, levando-se também em conta que o ritmo de atividade, marcado pelo tipo de negócio e pelas regras estabelecidas em cada fase das províncias, não será o mesmo para todos. Desta forma pediram a flexibilização no pagamento de impostos, que não haja penalidades se as empresas assumiram a ERTES e não puderem continuar com toda a força de trabalho ou que a incorporação dos trabalhadores seja baseada na demanda, bem como a eliminação de termos injustos dos aluguéis das instalações ou o compromisso com o consumo responsável.   

A situação no Brasil

Fábio Pina, assessor econômico da FecomercioSP, explicou que, no caso do Brasil, “o principal problema, como na Espanha, é a falta de liquidez, principalmente em setores como turismo ou academias, cuja atividade caiu de 60 a 90% nestes meses. Embora ainda seja muito cedo para determinar o real impacto dessa crise, a verdade é que toda essa situação está trazendo uma série de mudanças no setor, como a digitalização de muitas empresas, o que significa que os consumidores tiveram que se adaptar a fazer suas compras online, mesmo que algumas delas não façam uso de novas tecnologias hoje em dia.”  

Jean-Claude Silberfeld, consultor da Fecomercio Internacional, encerrou a sessão fazendo ênfase na relação entre Brasil e Espanha; dois países amistosos que exploram sinergias há anos. Atualmente, o mercado brasileiro abre infinitas oportunidades de negócios de longo prazo para empresas espanholas. Essas oportunidades serão impulsionadas pelo acordo Mercosul-UE.