O Brasil é uma das principais economias mundiais e o motor econômico da América do Sul. A inicios de 2020 estava recuperando-se lentamente de um período de recessão. Com a chegada do Covid-19, o país sofreu uma forte crise econômica, assim como ocorreu com as outras economias desenvolvidas, apesar de que está se recuperando dessa circunstância excepcional com rapidez. Nos últimos anos, o governo incentivou o investimento estrangeiro e criou um programa de privatizações e concessões que despertou grande interesse da Espanha. 

Historicamente, a Catalunha e o Brasil são fortes parceiros comerciais e há um enorme potencial para que essa relação cresça no futuro.

Exportações e importações

Atualmente, do total das exportações espanholas ao Brasil, 23,9% são catalãs. Entretanto, as exportações da comunidade autônoma ao país figuram 0,8% de todas as  exportações da Catalunha. No ano 2018, ditas exportações sofreram uma queda de 6,2% em comparação com o ano anterior, de até € 578,6 milhões. Os principais produtos exportados da Catalunha ao Brasil em 2018 foram  materiais plásticos (10,3%), produtos farmacêuticos (10,0%) e fungicidas (10,0%).

Respeito às importações, em 2018 os principais produtos importados do Brasil a Catalunha foram soja (33,8%), milho (22,8%) e resíduos da indústria alimentícia (9,6%). É interessante ter em conta que as importações catalãs representam 20,9% de tudo que a Espanha importa do Brasil, apesar de ter sofrido uma queda de 26,7% em 2018, desse modo situando-se em 1.009,0 milhões de euros, após um crescimento significativo em 2017. 

Investimento Estrangeiro

De acordo com as cifras gerais de Acció, o investimento proveniente do Brasil em Catalunha tem sido baixo, acumulando 74,1 milhões de euros nos últimos cinco anos e representando em 2018 1,7% do total investido na Espanha pelo país, o que não representa uma quantidade significante se comparado ao investimento total recebido por Catalunha. Se destaca, porém, o ano 2015, quando foram investidos € 54,2 milhões, tendo como principal destino a fabricação de veículos. Já em 2018, dito investimento foi marcado principalmente pela fabricação de máquinas (69,6% do total). 

Por outro lado, o investimento da Catalunha no Brasil tem sido relevante nos últimos cinco anos, atingindo € 1.417 milhões dentro deste período. Em 2018, este representou 2,7% do total de investimentos realizados por Catalunha e 7,9% do total investido pelo Estado espanhol no Brasil . Os destaques incluem os anos de 2016 e 2017, quando os investimentos superaram os € 700 milhões e € 300 milhões, respectivamente, sendo o setor de armazenamento e atividades relacionadas ao transporte os principais receptores. Adicionalmente, ainda em 2018, foram investidos 142,9 milhões de euros que correspondem especialmente ao comércio (60,7% do total), fabricação de ladrilhos (28,4%) e fabricação de aparelhos e materiais elétricos (7,7%). 

Principais empresas investidoras 

Atualmente, existem 524 filiais catalãs estabelecidas no Brasil. Dentre elas, as 10 principais são:

  • GRIFOLS SA
  • PUIG SL
  • ROCA CORPORACIÓN EMPRESARIAL SA
  • IMAGINA MEDIA AUDIOVISUAL SA
  • BAMESA ACEROS SL
  • COMSA CORPORACIÓN DE INFRAESTRUCTURAS SL
  • FLUIDRA SA
  • MECALUX SA
  • GRUPO FERRER INTERNACIONAL SA
  • AFFINITY PETCARE SA

Hoje em dia, existem 23 filiais brasileiras em Catalunha, sendo as 8 principais:

  • MAXION WHEELS ESPAÑA SL / HAYES LEMMERZ BARCELONA (Iochpe Maxion SA)
  • ODEBRECHT E&P ESPAÑA SL (Kieppe Patrimonial SA)
  • CATALISE EUROMETALS SL (Catalise Industria E Comercio de Metais LTDA)
  • HEALTH LEAN LOGISTICS SL (Mr Jose Antonio Lazaro)
  • ROMI MAQUINAS ESPAÑA SA (Industrias Romi SA)
  • NATURA COSMÉTICOS (Natura Cosméticos SA)
  • EMBRAER SPAIN HOLDING CO SL (Embraer–Empresa Brasileira de Aeronautica)
  • GRVPPE EUROPE DIVISION SL (Grvppe Solucoes Ltda)

Oportunidades de internacionalização e cooperação tecnológica para empresas catalãs no Brasil 

Soluções tecnológicas para o setor agrícola e agroindustrial

O setor agrícola tem crescido nos últimos anos acima da média brasileira e apresenta dados positivos mesmo em contextos de recessão. É um setor que demanda novas tecnologias,   inclusive a agricultura de precisão. O Brasil é um dos líderes mundiais no cultivo de soja, cana-de-açúcar, laranja e arroz, entre outras espécies de plantas. É também referência mundial na produção de carne bovina e de frango, além de possuir algumas das maiores empresas do setor. O processo de modernização do campo brasileiro ainda está em pleno andamento e permite a introdução de novas tecnologias de gestão agronômica, a partir de sistemas inovadores de irrigação, aplicação de drones para controle de safra ou maquinaria que represente ganho de produtividade. Recentemente houve a aplicação de soluções de Internet das Coisas para o ambiente agrícola e novas técnicas de agricultura de precisão foram desenvolvidas.

Aplicação de drones no setor de energia

A demanda por veículos aéreos não tripulados na gestão de oleodutos e redes de alta tensão para controlar sua operação e alertar a tempo de possíveis avarias chegando ao Brasil. A descoberta do pré-sal tornou o Brasil um dos grandes produtores de óleo cru. Vale acrescentar que o país está desenvolvendo uma rede de usinas eólicas e fotovoltaicas, além do aproveitamento de biomassa como fonte de energia. Em muitos casos, as áreas de geração de eletricidade estão localizadas a uma grande distância das regiões consumidoras, localizadas principalmente no sudeste e sul do país. Essas linhas cruzam selvas, pântanos ou regiões semi-áridas, portanto, a inspeção é árdua e cara. Nos últimos anos, as empresas de distribuição de energia elétrica mostraram interesse na introdução de drones como meios para verificar o estado da rede.

A indústria automobilística no Brasil

O Brasil é um dos 10 maiores compradores e produtores do setor automotivo. A produção representa 4% do PIB do país e 22% da indústria. A recuperação econômica está ganhando impulso e consequentemente, a indústria automobilística produziu 2,7 milhões de veículos em 2017, 24% a mais que em 2016. As vendas também figuraram um crescimento de 9%, com 2,24 milhões de veículos vendidos no ano. Devido ao enfraquecimento do real brasileiro (BRL) em relação ao dólar americano nos últimos anos, os fabricantes locais optaram por aumentar a produção para o mercado internacional. Graças a essa estratégia, as exportações atingiram um recorde histórico de 762.000 veículos em 2017. Além disso, existem acordos comerciais com a Colômbia para exportar 25.000 veículos sem impostos.

Colaboração com a indústria audiovisual brasileira

O Brasil apresenta um quadro jurídico muito favorável para o desenvolvimento de conteúdo audiovisual e digital localmente. Boa recepção por parte do público das atuais produções espanholas. Diversas leis de incentivo e promoção cultural do setor audiovisual permitem que o as empresas obtenham benefícios fiscais com as doações feitas ao setor. Além disso, os regulamentos exigem que os canais de televisão mostrem uma alta porcentagem de produções locais. Por outro lado, os serviços de streaming estão alcançando um grande número de assinantes no Brasil. Nesse sentido, nos últimos anos tem havido um crescente interesse em coproduções com empresas estrangeiras que podem contribuir com capital, conhecimento e tecnologia. O setor evoluiu muito nos últimos anos, mas está atento a novos conteúdos. As recentes séries espanholas ou catalãs como Merlin e Casa de Papel tiveram um grande sucesso.

Internet das coisas aplicada à indústria 4.0

Dentro do esforço do setor público e privado para adaptar o setor produtivo brasileiro à Indústria 4.0, a Internet das Coisas ocupa um espaço de destaque. A Associação Brasileira da Internet das Coisas (ABINC) já participou em anos anteriores do IoT Solutions World Congress, organizado pela Fira de Barcelona, ​​através da organização de grupos empresariais e institucionais. De acordo com a ABINT, as principais linhas de ação são: “Cobots”, robôs autônomos que melhoram o desempenho humano; robótica em nuvem; serviços de aluguel de robôs; “Gêmeos digitais”, representações virtuais do mundo real; cíber segurança. O BNDES, principal banco público de desenvolvimento, lançou várias linhas de financiamento para atividades ligadas à internet das coisas.

Logística (portos, aeroportos, estradas e ferrovias)

A nova onda de privatizações de portos, aeroportos, rodovias e ferrovias abre uma série de oportunidades para investidores, construtores, gestores de infraestrutura e empresas de tecnologia. Durante os primeiros quatro meses de 2018, 12 aeroportos foram privatizados (6 dos quais, os do Nordeste, foram adjudicadas à espanhola AENA), 10 terminais portuários de granéis líquidos, a linha ferroviária de cargas Norte-Sul e, até o final do ano, duas rodovias, além de outras ferrovias. Também se espera que em 2022, todos os aeroportos brasileiros sejam administrados por empresas privadas. Esta nova onda de privatizações significaria considerável influxo de capitais no setor de logística, o que permitirá sua modernização, com a construção e / ou reforma de infra-estruturas e introdução de novas ferramentas de gestão.

Cidades inteligentes

Barcelona e Catalunha são referências na gestão inteligente das cidades. Embora o crescimento urbano do Brasil tenha sido muito desigual, existem boas oportunidades para soluções inteligentes, especialmente nas grandes cidades. As equipes do governo municipal têm como prioridade a melhora dos serviços ao cidadão, otimizando recursos afetados devido à recessão econômica. Desse modo, agora há uma grande sensibilidade para soluções inteligentes, que permitem um uso mais eficiente da infraestrutura urbana. Especificamente, detectou-se oportunidades nas áreas de iluminação pública, saneamento básico, tratamento de resíduos, mobilidade urbana e TIC orientado para a administração eletrônica.