Entrevista com Paula Mèlich, Area Manager Brasil & Circular Economy Lead do Smart City Expo World Congress

by Cambra Comerç Brasil Catalunya / 10 novembro 2017 / No Comments
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Há sete anos, Barcelona é a capital mundial das Smart Cities. Cada mês de novembro a Fira de Barcelona organiza o evento mais importante a nível internacional dedicado ao setor das cidades inteligentes, que em 2016 contou com a participação de mais de 17.000 visitantes, 600 expositores e 420 conferencistas, além de representantes municipais de mais de 650 cidades. Na sua edição de 2017, que será celebrada entre 14 a 16 de novembro, o congresso reunirá mais de 400 influenciadores e inovadores de todo o mundo para compartilhar conhecimento e debater sobre os desafios que estão afrontando os espaços urbanos com o objetivo de construir cidades e entornos mais sustentáveis.

Falamos com Paula Mèlich, Area Manager Brasil & Circular Economy Lead del Smart City Expo World Congress (SCEWC), que nos últimos anos realizou um trabalho imenso de aproximar o conceito Smart City no Brasil, sobre as principais novidades que serão apresentadas nesta próxima edição do congresso, o atual desenvolvimento das cidades brasileiras em matéria de Smart Cities e o benefício que poderiam aportar a uma economia que sofreu uma crise muito severa e a uma sociedade onde as desigualdades ainda são predominantes.

P. O que você nos pode avançar sobre a próxima edição do SCEWC?

R. No dia 14 de novembro começa a melhor edição do Smart City Expo World Congress (SCEWC), o evento líder mundial que reunirá 18.000 profissionais do setor das cidades inteligentes em Barcelona, de 14 a 16 de novembro. Entre estes profissionais se encontram prefeitos e representantes municipais de 700 cidades de todo o mundo, quase 700 expositores e 420 palestrantes. Algumas das empresas expositoras de destaque são Deutsche Telekom, Engie, Microsoft, Mastercard, Siemens, ZTE y Suez, e das 57 cidades e países que mostrarão seus projetos e iniciativas na zona expositiva se destacam Estados Unidos, Israel, Dinamarca, Dubai, Suécia, Finlândia, Noruega, Holanda, Londres, Nova York, Catalunha, Espanha, Barcelona e Madri.

Como novidade, o salão também acolherá o primeiro Smart Mobility Congress, uma cimeira sobre transporte inteligente que terá continuidade anual e que mostrará as principais inovações em mobilidade urbana e interurbana.

P. Segundo estimativas da ONU, nas próximas décadas mais de 70% da população mundial viverá em cidades. Quais são os principais desafios que esta previsão leva a enfrentar as cidades que pretendem ser smart?

R. Atualmente, mais da metade da população vive em áreas urbanas e no ano 2050 essa cifra subirá até o 70%, segundo a ONU. Isso significa que duas de cada três pessoas viverão em cidades, que serão cada vez maiores. Já para 2030 haverá 41 megacidades no mundo, com mais de 10 milhões de habitantes. Esse inchamento das cidades supõe um desafio para os governos, empresas e cidadãos. Entre os desafios é possível citar o aumento da população, a escassez de recursos naturais, a mudança climática, o congestionamento do trânsito e contaminação, a falta de moradia acessível, educação e saúde, a segurança, a inclusão social e integração de refugiados e imigrantes à vida urbana, entre outros.  Todos são desafios que as cidades de hoje em dia enfrentam cada vez com mais intensidade.

P. Que requisitos uma cidade deve cumprir para que seja inteligente e quais são as últimas tendências nesse âmbito?

R. O conceito de smart city é um conceito muito amplo, que abriga muitos aspectos relacionados ao desenvolvimento urbano sustentável e que nasce da necessidade de tornar as cidades mais sustentáveis e habitáveis. A tecnologia é um meio para alcançar esse objetivo, porém colocar o cidadão como agente ativo para a mudança é algo de certa forma imperativo, já que as cidades devem se desenvolver não apenas para os cidadãos, mas com eles. Não se pode conceber uma cidade inteligente sem o empoderamento de sua população. Há muitos modelos de cidade inteligentes, não existe uma única definição de smart city, mas sim existem certos elementos básicos de consenso como, por exemplo, a gestão eficiente dos recursos naturais, o compromisso e respeito ao meio ambiente, um planejamento urbano coerente, o uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), transparência e dados abertos, mobilidade urbana sustentável, a participação cidadã na tomada de decisões da administração pública, entre outros.

P. Como tem sido a participação dos brasileiros no Congresso nos últimos anos? E nessa próxima edição?

R. O SCEWC é uma plataforma excepcional de debates sobre os desafios que enfrentam as cidades para serem mais inteligentes, mais sustentáveis e melhor governadas.O Brasil têm que enfrentar grandes desafios de forma imediata e o interesse dos governos locais de muitas cidades brasileiras, tanto grandes como pequenas, tem sido muito alto nas últimas edições do evento. Este ano contaremos com a participação de uma delegação de 60 representantes (entre prefeitos, assessores e secretários municipais) de cidades como Porto Alegre, Campinas, Brasília, Aracajú, Canoas Curitiba, Guarulhos, Maceió. Salvador, Niterói, Vitória, entre outras.

P. Em 2013, o Rio de Janeiro foi a ganhadora do World Smart City Awards na categoria cidade. Que avaliação faz das cidades brasileiras no âmbito das Smart Cities?

R. Um grande problema que preocupa aos municípios brasileiros é a participação cidadã. Decisões que impactam de forma direta a vida de milhões de pessoas muitas vezes são tomadas dentro de escritórios, sem consultas públicas prévias. A adoção de um processo decisivo meramente político, em detrimento de procedimentos que valorem e tenham em conta a participação cidadã, de alguma forma subverte a lógica  “smart”. Em um país que passa por um momento de crise do modelo representativo, isso deveria ser uma preocupação central para quem formula as políticas públicas. A transparência é imprescindível para que uma cidade seja, de fato, inteligente.

O Rio de Janeiro foi a cidade ganhadora em 2013 por dois projetos concretos: a remodelação do Porto Maravilha e o Centro de Operações do Rio (COR). Ambos projetos são muito ambiciosos e com possibilidade de gerar um grande impacto na cidade. Na prática, porém, um déficit da governaça supôs um processo de gentrificação na zona portuária remodelada e o COR que, em teoria, deveria aumentar e subsidiar a segurança dos cidadãos, na prática choca com a falta de recursos devido à dívida pública do estado. O Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa, teve uma oportunidade histórica de realizar uma transformação urbana efetiva e com impacto real para os cariocas quando sediou os Jogos Olímpico. No entanto, o esperado legado dos grandes eventos desportivos realizados nos últimos anos ficou restringido às construtoras, que hoje se veem envolvidas em investigações judiciais; os estádios e instalações desportivas já se encontram abandonadas e inclusive os projetos de mobilidade apresentam problemas.

P. O Brasil começa a se recuperar de uma severa crise econômica, mas a um ritmo lento devido, em parte, à situação política. Como acha que as Smart Cities podem ajudar no crescimento e desenvolvimento do país? Existem oportunidades de negócio no Brasil para empresas catalãs que desenvolvem sua atividade nesse setor?

R. As crises representam oportunidades e, sem dúvida, o desenvolvimento de cidades inteligentes cumprirá um papel fundamental na recuperação do país. Brasil, todavia, tem graves problemas de infraestrutura, assim como um grande potencial de crescimento nas áreas de tecnologia e serviços. Desafios de tamanha envergadura requerem soluções inovadoras. Neste sentido, as empresas catalãs podem contribuir ao desenvolvimento sustentável das urbes brasileiras. Apesar das dificuldades iniciais, principalmente sobre os aspectos burocráticos, tributários e logísticos, o mercado brasileiro é dinâmico, empreendedor e extremamente adaptável – termos que também servem para caracterizar as iniciativas na Catalunha. Essas empresas terão no Brasil a possibilidade de introduzir seus produtos e serviços em um mercado de escala continental, assim como apresentá-los a um público urbano que não para de crescer.

 

 

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